domingo, 9 de junho de 2013


A exposição de Carlos Alonso não escandalizou somente minha mãe, muitas pessoas ficaram chocadas com a sinceridade dos apelos trágicos das obras do pintor argentino, intitulada "Hay que comer". Como tema central a carne, Carlos ilustra a reconstrução da Argentina na década de 1970, retratando a violência social, a política, o assalto ao poder e o terrorismo do estado, por meio da carne. 

Nas telas há várias manifestação do erotismo retratado pelos corpos expostos. Na maioria das vezes estabelecendo uma relação entre opressores e oprimidos, metáfora dos grupos de poder e as pessoas humildes. Naquelas imagens onde apenas parte de pessoas aparecem representa-se a presença dos desaparecidos, que são estabelecidos como vítimas anônimas ou um familiar ausente. Além do discurso social por trás do impacto do teor sensual das imagens, está o próprio amor carnal, meio de aliviar a dor de vivenciar a miséria física e espiritual vivenciada pelo artista e por um país inteiro.

Considero importante ressaltar que no ano de 1976, após o golpe de estado, sua filha Paloma desapareceu e nunca foi encontrada. Nesse mesmo ano Alonso foi exilado na Itália. Creio que isso tenha influenciado tremendamente na profundidade do impacto violento que suas imagens têm sobre os observadores. "Para Carlos Alonso, a arte se transformou em um meio onde pôde curar as feridas do mundo real."



Mamãe não desconfiava que as mulheres penduradas como carne em frigoríficos foram inspiradas não somente por revolta, mas também por sentimentos de amor em uma época de fome e guerra.




1 comentários:

  1. Olá, Lia.

    As pinturas são realmente fortes e chocam logo de início. Achei engraçadinho a reação da sua mãe, a minha diria apenas que não gostou.

    rs

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