segunda-feira, 10 de junho de 2013

A VIDA ENSINOU




De uma sentada, li pra lá da metade. Abri o livro às  às tantas da noite, nesta fase de recuperação de asma/bronquite  e ele me tirou o sono: O que a vida me ensinou, de Frei Betto (Editora Saraiva).  Betto joga um anzol forte no primeiro parágrafo: “Inicio pelo que não sou (e muitos julgam o contrário): padre e filiado a partido político”.
            Só uma minoria absoluta não se rende à trivialidade e à vulgaridade do que vem se escrevendo por aí.  Pode esquecer: você não encontra burrice modernosa no livro. Acha nele a coragem do frade que conta suas pulsões sexuais de adolescente, ao mesmo tempo que desperta para a política estudantil. Acha um homem com suas contradições, que espalha o sentimento amoroso invidual para todos os humanos.  
            Enquanto a direita coopta gente moça ou nem tanto, armada de ignorância maquiada e egoísmo, Frei Betto fala, sobre ética, o que já era mais do que hora pra falar, era mais do que tempo de um escritor dizer.  Ética virou um tema caro à mais evidente malandragem, que fala dela com tentativas de finesse. Frei Betto observa como essa (não) ética se amolda às situações. Como gelatina, comparo.
            Betto faz rasante obre a história brasileira contemporânea: exéquias de Tancredo Neves, primeiro presidente pós-golpe; prisões e torturas; ditadura que apreendia livros que falavam sobre o Cubismo, considerado referência a Cuba.
            E vai de Adélia Prado, de Tomás de Aquino, de Arato, poeta do século III a.C. que se proclama filho da divindade – antes do cristianismo. .
            Linguagem límpida, rápida. Li em duas sentadas. O que a vida me ensinou está colaborando na recuperação de uma asma/bronquite renitente.  Faz bem a todas as saúdes.
             Quem leu ou ler, comente.  Cada leitor faz, com sua leitura, um livro diferente. Tenho curiosidade.

FONTE: http://www.tomze.com.br/

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